Os direitos dos jovens


Em geral se considera que os jovens como você têm os mesmos direitos que a declaração dos Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) e que são protegidos em cada país. Porém, isso é muito amplo. Por isso, em 1998 um grupo de jovens de distintos países reuniram-se em Taize (França), um centro espiritual ecumênico e interpretaram estes direitos da seguinte maneira:

Nós, os jovens do mundo proclamamos:
A presente declaração dos direitos da juventude como um fim a conseguir por todos os povos e por todas as nações.

Art 1. O direito a identidade como jovem:
A juventude tem o direito de ser considerada como um grupo específico, com seus valores próprios e uma parte da sociedade.

Art 2. O direito a autonomia:
O jovem tem o direito de gozar dos meios de desenvolvimento e de exercer progressivamente as responsabilidades que lhe permitirão o acesso a autonomia.

Art 3. O direito de amar:
O jovem tem o direito de eleger seus amigos sem discriminação de classe, de sexo ou de raça.

Art 4. O direito de ser amado:
O jovem tem o direito de ser respeitado, compreendido e de ser amado por sua família.

Art 5. O direito de ser escutado:
O jovem tem o direito de expressar-se livremente, o direito de ser escutado e considerado, ainda se sua opinião se difere das ditas pelos adultos.

Art 6. O direito de ser informado:
O jovem tem o direito de receber uma informação objetiva com relação às realidades de nossa sociedade.

Art 7. O direito da participação:
O jovem tem o direito de montar atividades, de participar nelas e de comprometer-se livremente nelas em sua escola ou em seu bairro.

Art 8. O direito a vida escolar:
O jovem tem o direito a uma vida escolar estável e progressiva, o mesmo que a um horário equilibrado que lhe permita tempos livres necessários para as atividades e intercâmbios entre alunos e professores.

Art 9. O direito a oportunidades iguais:
O jovem tem direito a uma educação não seletiva e não competitiva.

Art 10. O direito ao trabalho:
O jovem tem direito a um trabalho conforme com as suas capacidades e suas aspirações.

Art 11. O direito a inexperiência:
O jovem tem o direito de poder concordar a um meio de trabalho, sem experiência condicionada ao anterior.

Art 12. O direito ao erro:
O jovem tem o direito de cometer erros e de corrigir-se dos mesmos.

Art 13. O direito de uso do tempo livre:
O jovem goza do direito de ter em seu meio um lugar que lhe permita dedicar-se a ocupar organizadamente seu tempo livre.

Art 14. O direito a consideração moral:
O jovem tem direito a serviços que não sejam discriminatórios em lugares públicos.

Art 15. O direito a consideração jurídica:
O jovem tem o direito de participar na elaboração das leis que lhe referem e de ser respeitado pelas forças da ordem.

Art 16. O direito a proteção:
O jovem tem o direito de ser protegido contra todo tipo de manipulação: publicidade, doutrinamento, experimentações diversas (científicas, educativas, etc...).

Art 17. O direito aos valores espirituais:
O jovem tem o direito de escolher, de viver e expressar seus valores espirituais sem oposição dos Estados.

Art 18. O direito a solidariedade:
O jovem tem o direito de crescer em um espírito de paz e de solidariedade, e de ter ante seus olhos exemplos de compartilhar e de ajuda mútua no plano internacional que lhe incitem a construir um mundo mais fraternal.

Guias y Scouts de Chile

Entre aspas: Quem você quer ser depois de crescer?

A indecisão na pós-adolescência. A dificuldade de seguir no caminho escolhido. Entre ser teenager ou adulto, você se sente como Peter Pan fazendo previdência privada. Uma falta de ser tanta de coisa ao mesmo tempo. Saudades daquele suposto eterno misto de vontade e possibilidade.

Envelhecer é um pouco como seguir em frente enquanto as vozes dentro da gente silenciam. Aquelas que te contavam sobre o que ser quando crescer, a cor do primeiro carro, a viagem das férias, seu tipo de roupa, seu tipo de homem. Cada escolha analisada no travesseiro podem lhe fazer sentir como um estranho a você mesmo. Fui eu mesmo que quis isso para mim? Quem disse?

E nessa ânsia de encontrar um reforço positivo, é tão fácil transformar a vida da gente num verbete de Wikipedia  Aceitar a opinião alheia como único norte pra dúvidas. Duvidar-se. Criar regras e padrões que nem sempre funcionam, mas dão um mapa, um guia, ainda que sob o risco de tornar-se um quebra-cabeça com peças que não são nem suas.

Nesses tempos em que a vida de todo mundo é tão exposta e comparada, como não poderia deixar de ser, é comum se sentir perdido quando se mede pela regra dos outros. Estou saindo tanto quanto deveria? Ganho pouco? Amo demais? Devo trocar de carro? De namorado? Sou feliz?

Pode parecer sufocante sentir que sua vida não se move tão rápido quanto a dos outros. Estamos condicionados a oferecer aos outros o que eles esperam da gente. E, se isso não acontece, criamos desculpas. Não é preciso se desenvolver acompanhando a matilha só porque nasceu em 1990 e há livros sobre a Geração Y. Não é o autor quem vai conviver com as escolhas que você faz para a sua vida. Está tudo bem em ser diferente. Há muita margem entre ser hippie e ser um controlador de vôo. Há muita margem entre o que é o outro e o que é você.

Muitas das perguntas que tenho sobre o que quero ser depois de crescer não são nem minhas. São ecos de gente que está bem mais confusa do que você. E o que a gente faz quando percebe que grande parte dos nossos problemas são frustrações adolescentes adquiridas em frente aos espelhos dos outros? Fala um pouco menos, sente um pouco mais, arranja problemas de verdade e aprende a confiar no seu silêncio. Nada fala mais alto que ele. Ele é você em paz. Tem algo diferente disso que você queira ser?

Sobre o autor: Felipe Luno (no twitter @felipeluno) é jornalista, escritor, coleciona pequenos pecados amorosos e acredita em um mundo com menos carão e mais carinho. Para ler outros textos acesse www.dramaking.org

Depois dos Quinze